Luciany e Itamar compartilharam experiências pessoais e refletiram sobre a solidão da criação, o papel dos leitores e a vitalidade da literatura
“A literatura é esse neutro, esse composto, esse oblíquo para onde escapa todo sujeito, a armadilha onde toda identidade se perde, a começar pela própria identidade do corpo que escreve”, escreveu Roland Barthes em A Morte do Autor, um dos ensaios de seu livro O Rumor da Língua. Foi citando o escritor que Itamar Vieira Júnior e Luciany Aparecida iniciaram o encontro autoral entre eles, promovido na terceira edição da FliConquista. Uma plateia de leitores e amantes da literatura ocupou o teatro do Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima na noite da última sexta-feira (26) para ouvir a conversa sobre a experiência da escrita, o papel do autor e as referências literárias.
A conversa, descontraída em muitos momentos, arrancou risos, mas também emocionou o público com as palavras profundas que Luciany e Itamar escolheram para contar a vida. Além de refletirem sobre as vivências literárias de modo mais extrovertido, os autores também revisitaram suas próprias existências e mostraram como acontecimentos pessoais motivaram a construção de suas obras e personagens. Na mesma linha, ambos falaram da solidão da criação, destacando o fato de a escrita ser feita por um indivíduo para o mundo e do processo de “luto” que atravessam após a publicação de uma obra.
Os autores também ressaltaram a importância dos leitores e de como eles desempenham um papel fundamental na troca com os escritores. Os dois conceituaram o leitor como o condutor da vida e da narrativa que brotam nos livros, atribuindo a eles a vitalidade da literatura. “Escrever demanda tempo e vida. Dialogar com os leitores é incrível porque eles me devolvem essa vida. Ler é trocar vida”, enfatizou Luciany, ao destacar a importância do encontro entre autor e leitor durante as feiras literárias.
A atividade marcou o encerramento da participação do escritor Itamar Vieira Júnior na feira literária de Vitória da Conquista. O autor de Torto Arado integrou a programação durante todo o dia, espalhando sua mensagem carregada de amor e afeição pela literatura que, em sua visão, “reafirma a humanidade” em cada sujeito. Ele não escondeu sua felicidade e disse estar honrado em participar da terceira FliConquista. “Estou encerrando esse dia com a sensação de dever cumprido, já que a Feira é um projeto forte, muito bem organizado, bonito e com um público cativante. Todas as sessões estavam cheias de leitores querendo ouvir histórias e encontrar os autores. É um evento que celebra de fato o livro, o leitor e o autor”, afirmou Itamar.
O encontro foi encerrado com a certeza de que a literatura, sobretudo aquela feita no Nordeste, impacta a vida de quem lê e de quem escreve, seja desconstruindo imaginários ou produzindo vida por meio dos encontros. Esse momento representou a essência do que é a FliConquista, que se reafirma como um espaço de trocas e celebração da palavra, seja ela falada ou escrita.
Repórter: Pedro Novaes
Fotógrafo: Lua Ife
FliConquista 2025 – A terceira edição da FliConquista integra o Programa Bahia Literária, a Rede de Feiras e Festas Literárias do Estado da Bahia e conta com apoio do Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria da Educação (SEC) e da Secretaria de Cultura (SECULT), via Fundação Pedro Calmon, e do Governo Federal, por meio de emendas parlamentares.