Debate na Fliconquista conectou o sucesso de Torto Arado à luta pela terra e à repatriação do Manto Tupinambá, reforçando a literatura como ferramenta de resgate da memória e ancestralidade
A Feira Literária de Vitória da Conquista celebra, em sua terceira edição, a letra rimada que se projeta na tela e se faz cinema. Na manhã desta sexta (26), a Fliconquista Cine exibiu os curta-metragens O manto das histórias: Fios Literários e Personagens Torto Arado: Obra de Itamar, ambos de Hewelin Fernandes, produzidos sob a curadoria e pesquisa da professora Ester Figueiredo. A exibição contou com a presença do escritor Itamar Vieira Júnior e da curadora, que teceram comentários a respeito das produções e de como os encontros nas feiras literárias produzem efeitos práticos na literatura e na vida.
Os curtas, em formato de documentário, reúnem depoimentos de Itamar Vieira Júnior, da professora Ester Figueiredo, da artista Glicéria Tupinambá e da professora Qircia Fonseca, além de seus alunos, que utilizaram Torto Arado para estudar o território que ocupam e se reconhecerem enquanto sujeitos da Chapada Diamantina. Os mini-docs abordaram os encontros entre os entrevistados e como eles foram importantes para que algumas revoluções ocorressem por meio da literatura.
Um dos momentos mais importantes foi a discussão sobre o Manto Tupinambá, tratada nos curta-metragens. A conversa destacou a importância da militância de Glicéria Tupinambá no processo de repatriação da peça histórica, que é vista não como um mero objeto, mas como uma “entidade” viva, com “agência”, capaz de atuar na reconfiguração da memória nacional. A dimensão espiritual da obra foi confirmada por Glicéria, que considera Torto Arado um “oráculo” que dialoga com as cosmologias locais, como o Jarê.
A professora Ester Figueiredo considerou o momento uma grande oportunidade de interpretar a realidade brasileira expressa e impressa nas personagens e na obra de Itamar. “A obra de Itamar interpreta o Brasil e reflete sobre os mais diversos problemas sociais e, a partir desses encontros que a obra dele provoca, nós conseguimos reconhecer a terra também como nosso direito, e a literatura adquire a possibilidade de interpretar e se formar. Eu agradeço a Itamar por isso”, disse a curadora da Fliconquista.
Repórter: Pedro Novaes
Fotógrafo: Thiago Gama
FliConquista 2025 – A terceira edição da FliConquista integra o Programa Bahia Literária, a Rede de feiras e festas literárias do Estado da Bahia e conta com apoio do Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria da Educação (SEC) e da Secretaria de Cultura (SECULT), via Fundação Pedro Calmon e do Governo Federal por meio de emendas parlamentares.