Entre acordes e versos, a artista conduziu o público por uma viagem íntima de reflexão, afeto e empoderamento
Vestida de branco e com um buquê de flores na mão, a cantora Larissa Luz subiu ao palco da Fliconquista, na noite desta sexta-feira (25), para apresentar o espetáculo “Larissa Luz Canta e Conta a Solidão”. Com um formato mais intimista, acompanhada do músico Jad Ventura, a artista ressignificou a solidão ao conceituá-la como um espaço de reflexão e criação. O casamento entre o público e a artista selou-se com uma demonstração de carinho e respeito da plateia, que se aproximou do palco e mostrou à cantora que, para cantar a solidão, ela não precisava estar só.
O espetáculo contou com um repertório diverso e repleto de letras que cantavam e contavam a solidão sob uma perspectiva de empoderamento e profunda reflexão pessoal, sobretudo para as mulheres. Com sucessos autorais como “Cupido Erê” e outras canções da música popular brasileira, a exemplo de “Dança da Solidão”, de Marisa Monte, e composições de Gil, Paulinho da Viola, Elza Soares e Marina Lima, Larissa guiou o público por uma jornada de introspecção que surge diante de algumas situações da vida. Cada acorde, cada verso e cada gesto transformou a concha acústica do Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima em um espaço de emoção coletiva, lembrando que a arte tem o poder de conectar corações e despertar sentidos.
A artista, multifacetada e reconhecida não só pela sua voz marcante, mas também por sua atuação nos palcos, em musicais e espetáculos como Torto Arado, adaptação teatral da obra de Itamar Vieira Júnior, não escondeu a emoção em integrar a programação da Fliconquista 2025. “Eu fico muito feliz de fazer parte e quero me envolver cada vez mais nestes eventos literários. Eu cresci nesse meio da literatura e gosto sempre de estar participando de movimentos que incentivam as pessoas a lerem, que façam com que escritores, principalmente os que sofrem apagamentos, sejam vistos. A literatura e a leitura transformam vidas”, revelou Larissa.
A cantora também falou sobre o processo de criação do espetáculo e da escolha do repertório para retratar o tema. “Eu sempre fui curiosa e entusiasta do tema. Solidão, solitude, emancipação, o mergulho para dentro, o autoconhecimento. Acho que é uma coisa que muita gente passa, que é a reflexão sobre estar só. Como que as pessoas lidam com a solidão. Achei que era oportuno fazer um show intimista, porque está falando sobre isso. Sobre poucas pessoas, poucos sons e, ao mesmo tempo, sobre muita coisa”, contou a artista.
A previsão do tempo marcava 18ºC, com sensações mais baixas, quando a artista subiu ao palco. Foram o calor envolvente da levada do violão do músico Jad Ventura e a voz potente de Larissa que aqueceram o público. Entre as pessoas presentes, Mariana de Moraes descreveu a sensação de acompanhar, pela primeira vez, um show da artista. “Está muito lindo, ela aqueceu o frio de Conquista. Eu estou apaixonada por essa mulher, ela é incrível, completamente artista, da cabeça aos pés”, contou a psicóloga.
O comunicólogo e integrante da Academia Conquistense de Letras, Marco Jardim, esteve com o olhar atento e um tanto quanto emocionado direcionado ao palco a todo momento. Foi a segunda vez que Marco acompanhou uma apresentação da artista; a outra foi na Feira Literária de Mucugê. “Eu sempre gostei da Larissa Luz e tenho uma memória afetiva muito presente de outro show em Mucugê, mas com uma proposta totalmente diferente. Achei muito lindo ela trazer essa reflexão para o palco, porque a solidão é pensada como um processo de criação, de ebulição interna, de querer fazer e realizar. Ela está trazendo essa proposta linda, suave e delicada, de uma maneira muito bonita”, narrou Marco.
A apresentação marca mais um ponto alto da programação da Fliconquista, que este ano celebra a palavra rimada estampada nas telas do cinema, mas também abrange, em sua programação, toda forma de arte que toca, conecta e transforma. A solidão não passou de música e poesia na voz de uma artista que representa a sensibilidade e a potência feminina. Viva a Fliconquista; viva Larissa Luz!
Repórter: Pedro Novaes
Fotógrafo: Lua Ife
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