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Leitura e vestibular: mesa com Luciany Aparecida marca a terceira edição da Fliconquista
26 de setembro de 2025

Entre memórias sertanejas e vozes ancestrais, Luciany Aparecida convida estudantes a ler o Brasil por entre as linhas de sua obra

A Feira Literária de Vitória da Conquista tem recebido diariamente um público diverso e atento, com destaque para os estudantes que embarcam em uma verdadeira viagem pelo mundo da literatura e têm a oportunidade de dialogar não apenas com as obras, mas também com seus autores. Na tarde desta sexta-feira (26), foi a vez de Luciany Aparecida participar da mesa “Corpos fecundos da Terra”, mediada por Lilian Almeida.

Autora de Mata Doce, romance que integra a lista de leituras obrigatórias do Vestibular UESB 2026, Luciany compartilhou reflexões sobre a construção de sua narrativa e o papel de suas referências literárias. Citou obras que a marcaram profundamente, como A Hora da Estrela, de Clarice Lispector, Mulher no Espelho, de Helena Parente Cunha, e, sobretudo, Vidas Secas, de Graciliano Ramos, cuja representação da realidade sertaneja gerou identificação imediata em sua família, no Vale do Jiquiriçá.

Durante a conversa, a escritora comemorou a escolha de Mata Doce no vestibular, que classificou como “um gesto de responsabilidade intelectual com o tempo atual”, ressaltando a importância da valorização de autoras contemporâneas. “É uma honra imaginar que as pessoas vão ler esse livro, conhecer as personagens e entrar nesse mundo que reflete um pouco do que é a Bahia e o próprio Brasil. É um momento importante para minha carreira”, afirmou. Em tom descontraído, lembrou ainda de sua própria aprovação no vestibular da UESB, em História, curso no qual não chegou a ingressar, e brincou: “com certeza” erraria a questão sobre Mata Doce na prova.

Finalista do Prêmio Jabuti 2024, a obra reflete nuances da vida no sertão e dialoga com elementos das religiões de matriz africana. Segundo a autora, esse foi um processo construído “com muito cuidado”, já que, em um país ainda marcado pelo preconceito, tratar desses temas poderia incorrer em estigmatizações.

A plateia mista acompanhou atenta, mas o destaque ficou para os vestibulandos, que enchiam cadernos de anotações e buscavam detalhes para além da narrativa. Entre eles estavam as estudantes Ingrid Carvalho e Mahayla Gusmão, de 17 anos, que se preparam para disputar vagas nos cursos de Direito e Medicina. Para elas, a experiência foi uma oportunidade de compreender melhor a obra e captar sentidos que podem aparecer nas questões do vestibular. “Esperamos que a prova cobre aspectos ligados às linguagens, à história e até mesmo à geografia do local onde a narrativa se passa”, afirmaram.

Repórter: Pedro Novaes
Fotógrafo: Lua Ife

FliConquista 2025 – A terceira edição da feira integra o Programa Bahia Literária, rede de feiras e festas literárias do Estado, e conta com apoio do Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria da Educação (SEC) e da Secretaria de Cultura (SECULT), via Fundação Pedro Calmon, além do Governo Federal, por meio de emendas parlamentares.