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Personagens que desafiam a vida real ganham destaque na Fliconquista 2025
25 de setembro de 2025

Mariana Carrara, Vitor Mascarenhas e Evanilton Gonçalves discutem processos criativos e a força das personagens que refletem dilemas da vida real 

A terceira Feira Literária de Vitória da Conquista, em seu primeiro dia de programação, já se consolida como uma das mais ricas devido à sua pluralidade de atividades e diálogos com a sétima arte. Assim como no cinema, a concepção das personagens exige um movimento de reflexão e pesquisa nas referências do mundo real, e foi essa a temática debatida na mesa “Palavras em cenas: as personagens resistentes”. Os autores Mariana Carrara, Vitor Mascarenhas e Evanilton Gonçalves, sob a mediação de Matheus Peleteiro, abordaram os processos de escrita e criação de suas personagens mais inesquecíveis.

Apesar de estilos distintos, os autores partilham de uma característica em comum, que é a profundidade em suas obras e a dimensão social das temáticas contidas em cada uma delas. Num primeiro momento, os autores revelaram suas inspirações e referências literárias, explicitando para o público como foram formados os repertórios socioculturais de cada um. Todavia, a discussão central da mesa foi o conceito de resistência na ficção, atributo que os autores consideraram existir devido à persistência de suas personagens, inspirada na vida real.

Durante a conversa, os autores compartilharam que a pesquisa intensa e até a “fofoca”, como brincou Evanilton, são fundamentais para dar verossimilhança às narrativas. Mariana relatou o mergulho exaustivo no universo agrário familiar no Rio Grande do Sul para escrever A árvore mais sozinha do mundo, explorando desde a linguagem local até os efeitos dos agrotóxicos e o endividamento das famílias. Já Vitor Mascarenhas destacou a leitura de mais de 80 obras como parte da investigação que embasou Sete dias em setembro.

A mesa teve como eixo central a discussão sobre o conceito de resistência na ficção, apresentada em diferentes camadas pelos autores. Mariana Salomão Carrara destacou a personagem Maria Carmen, de Se Deus me chamar não vou, que resiste à “nossa vida normal” e à solidão do crescimento, além da família retratada em A árvore mais sozinha do mundo, enfrentando os dilemas sociais. Evanilton Gonçalves, por sua vez, ressaltou a força das camadas populares, exemplificada na comunidade e na personagem Adelaide Presepeira, de Ladeira da preguiça, que luta pelo direito à dignidade e a uma vida plena. Já Vitor Mascarenhas surpreendeu ao afirmar que, em sua obra, a personagem mais resistente não é um herói clássico, mas sim o próprio narrador, que insiste em contar a história.

Pela primeira vez na Bahia para um evento literário, a escritora, poeta, defensora pública e autora de importantes obras como Se Deus me chamar não vou, A árvore mais sozinha do mundo e Não fossem as sílabas do sábado, Mariana Carrara expressou sua felicidade em celebrar a literatura na FliConquista 2025. “É incrível estar aqui e participar desta mesa e ver uma plateia diferente das que eu vejo na minha cidade. É sempre uma boa oportunidade de encontrar o público diverso e conversar com novos leitores. Estou muito grata”, disse Mariana em nome dos colegas de mesa.

Repórter: Pedro Novaes
Fotógrafo: Igor Chaves

FliConquista 2025 – A terceira edição da FliConquista integra o Programa Bahia Literária, a Rede de feiras e festas literárias do Estado da Bahia e conta com apoio do Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria da Educação (SEC) e da Secretaria de Cultura (SECULT), via Fundação Pedro Calmon e do Governo Federal por meio de emendas parlamentares.