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Mesa discute inclusão e acessibilidade de leitores e autores na FliConquista
26 de setembro de 2025

Incluir e diversificar: essas foram as palavras que guiaram o bate-papo “Experiências Leitoras Inclusivas”, realizado na manhã desta sexta-feira (26), na FliConquista, com a presença do escritor e médico Joel Araújo, do escritor e editor Matheus Peleteiro e do poeta Thiago Correia, sob a mediação da professora Edivanda Trindade.

Para Joel, ainda há muitos obstáculos que afastam leitores do universo literário, desde barreiras financeiras até a falta de recursos de acessibilidade. Autor da Coleção Gentes, ele apresentou a obra durante o encontro, explicando que se trata de seis livros infantis que unem diferentes formas de inclusão, como versões em Braille, glossários expandidos, audiobooks com interpretação em Libras e audiodescrição. “A perfeição é antinatural. Todos somos diferentes. Essa coleção foi pensada para abraçar essas diferenças e ampliar o acesso”, afirmou.

A discussão também trouxe a dimensão simbólica da inclusão. “A literatura, por si só, já é inclusiva, porque abre caminhos em um mundo marcado por exclusões sociais, raciais ou econômicas. Quando colocamos personagens com deficiência no cotidiano, sem que isso seja o holofote principal, criamos uma cultura de respeito”, completou Joel.

O poeta Thiago Correia reforçou a importância de ampliar os espaços para autores com deficiência nas feiras e eventos literários. Segundo ele, ainda existe um cenário de invisibilidade. “Eu tenho questionado algumas feiras literárias: cadê os autores com deficiência? Muitas vezes a resposta é o silêncio. O movimento de garimpar deveria partir também das próprias feiras”, disse. Para ele, é essencial que a deficiência não seja vista como uma identidade anterior à obra: “Antes de ser deficiência, eu sou poeta, filho, irmão. O nosso nome precisa vir primeiro.”

Essa perspectiva também foi destacada pela mediadora Edivanda Trindade, professora da educação básica e atuante há 17 anos na educação especial. Para ela, a inclusão é uma pauta urgente que não pode se restringir apenas às leis ou políticas públicas. “Nós precisamos ocupar todos os espaços: feiras, praças, ruas. E, quando falamos de literatura, é fundamental discutir a pessoa com deficiência não apenas como personagem, mas também como produtora de cultura”, afirmou.

O editor e escritor Matheus Peleteiro trouxe para a conversa o olhar de quem está atento às vozes que ficam à margem. “O que me move é o fascínio pelas obras, não a condição dos autores. Há muita gente produzindo trabalhos grandiosos que não chegam ao grande público simplesmente por não corresponderem às exigências midiáticas do mercado”, afirmou.

Ao reunir diferentes perspectivas, o bate-papo mostrou que a inclusão na literatura passa tanto por garantir acessibilidade material, como livros em formatos diversos, quanto por ampliar representações simbólicas e espaços de fala. A mensagem que ficou é que cada leitor e cada autor, com sua singularidade, pode ocupar o lugar que lhe é de direito no universo literário.

FliConquista 2025 – A terceira edição da FliConquista integra o Programa Bahia Literária, a Rede de feiras e festas literárias do Estado da Bahia e conta com apoio do Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria da Educação (SEC) e da Secretaria de Cultura (SECULT), via Fundação Pedro Calmon e do Governo Federal por meio de emendas parlamentares.

Repórter: Érika Camargo

Foto: Lua Ife | @luaifefotografia