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As felicidades clandestinas de Clarice Lispector em diálogo entre literatura e cinema na FliConquista
26 de setembro de 2025

Na tarde desta sexta-feira (25), a FliConquista promoveu um encontro entre literatura e cinema no teatro do Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima. A mesa “As Felicidades Clandestinas de Clarice Lispector” reuniu a professora de literatura Graça Andrade, da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), com pesquisas de mestrado e doutorado sobre a obra de Clarice, e a cineasta paulista Marcela Lordy, diretora do filme O Livro dos Prazeres.

A atividade ocorreu após a exibição do longa, que levou ao público a adaptação da obra homônima de Clarice. Para Graça, compreender a dimensão literária de Clarice ajuda a iluminar o olhar sobre o filme. “Quando nós temos um conhecimento de outras obras e da biografia da escritora, percebemos como esse trabalho de construção foi cuidadoso. Isso nos ajuda a compreender melhor o filme”, afirmou.

Graça destacou ainda a relação entre o cinema de Marcela e o universo múltiplo de Clarice, em que diferentes textos se atravessam. “O filme é uma livre adaptação, mas nele convergem também outros escritos da autora e até mesmo cenas de Terra em Transe, do cineasta conquistense Glauber Rocha. A protagonista, Lóri, aparece assistindo ao filme de Glauber, o que amplia a experiência da narrativa”, explicou.

Marcela, por sua vez, compartilhou os desafios de transformar a escrita fragmentária de Clarice em imagens. “Foi curioso porque tudo ficava muito no campo do simbólico, e às vezes era preciso concretizar. Fui descobrindo aos poucos que a história era sobre uma mulher independente, em processo de autoafirmação. Esse percurso de adaptação foi feito como Clarice escrevia: juntando pedaços, construindo aos retalhos”, contou.

A diretora ressaltou também como o filme se tornou um espaço para discutir temas ainda urgentes. “Segue sendo necessário falar de sexualidade, desejo feminino, crescimento e empoderamento. Muitas vezes esse tipo de literatura ou de cinema é colocado como ‘menor’, mas Clarice não é uma autora menor. Ela nos obriga a olhar o prazer feminino de frente, e isso pode incomodar. Mas é um incômodo necessário”, afirmou.

Ao final, Marcela comentou a experiência de exibir o filme em Vitória da Conquista e debater com o público. “Saio daqui muito feliz. Vim um pouco desanimada e volto plena. Foi incrível ver uma sala cheia, com tantos estudantes interessados em literatura e cinema”, disse.

A mesa compôs a programação da FliConquista 2025, que neste ano tem como tema “Literatura e Cinema – A Palavra Rimada Entre Cenas e Letras”, reforçando os diálogos possíveis entre as diferentes linguagens artísticas.

Repórter: Érika Camargo

Foto: Thiago Gama

FliConquista 2025 – A terceira edição da FliConquista integra o Programa Bahia Literária, a Rede de Feiras e Festas Literárias do Estado da Bahia, e conta com apoio do Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria da Educação (SEC) e da Secretaria de Cultura (SECULT), via Fundação Pedro Calmon, além do Governo Federal, por meio de emendas parlamentares.