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Chico César deixa FliConquista em estado de poesia
26 de setembro de 2025

Vitória da Conquista recebeu Chico César de braços abertos. Na sexta-feira (26), ele se apresentou na 3ª edição da FliConquista, lotando a Concha Acústica do Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima em um espetáculo marcado pela entrega e pela comunhão entre artista e público.

Mais do que cantor e compositor consagrado, Chico se tornou maestro, regendo a cantoria e a dança dessa grande festa popular. Com voz potente, violão elétrico de cordas de nylon e um carisma inegável, dialogou com a plateia, contou histórias, brincou com humor e manteve a energia em alta do início ao fim.

Das baladas mais lentas aos sucessos mais enérgicos, o público acompanhou cada compasso. Sozinho no palco, Chico sustentou o espetáculo com presença magnética e domínio de cena, conduzindo a plateia em uma travessia de emoção e celebração.

O artista passeou por diferentes momentos de sua carreira, valorizou a cultura negra, trouxe reflexões políticas e demonstrou familiaridade com a cidade, lembrando nomes fundamentais da cultura brasileira como Elomar, Xangai e Glauber Rocha.

Em entrevista à FliConquista, Chico falou sobre a alegria de estar em Conquista e a ligação com artistas da região:
“É um sentimento de gratidão. Aqui eu tenho ídolos, pessoas que admiro muito, mestres como Elomar e Xangai. Desde o meu segundo disco, em 1996, eu venho a Conquista, e a cidade acompanhou minha trajetória. Me apresentei com eles, inclusive na Casa dos Carneiros. Então, essa ligação é muito bacana.”

A música de Chico carrega a força da palavra. Ele lembrou como poesia e canção se cruzam no cancioneiro popular, tradição na qual também está inscrito:
“Nós temos Vinicius de Moraes, que era um poeta autor de muitos livros, e de repente se torna parceiro dos músicos Jobim, Toquinho, Baden Powell. Nossa música popular brasileira, com letras de Aldir Blanc, Capinam, Caetano Veloso, Djavan, Gilberto Gil, Luiz Melodia, Chico Buarque, não prescinde da qualidade da palavra.”

O cantor destacou as feiras literárias como espaços vivos e contemporâneos de representação:
“É também um momento de afirmação de um território, um reencontro com identidades. E cada vez mais a literatura mostra que os escritores não são apenas homens, não são apenas brancos. São homens, mulheres, pretos, brancos, heterossexuais, bissexuais, homossexuais. Isso tudo mostra a diversidade da nossa literatura.”

O repertório reacendeu imagens que povoam a memória do público. A estudante Ana Luiza Ribeiro, de 16 anos, contou que esperou ansiosa pelo show:
“Eu fiquei a semana toda pensando nesse show, estava muito animada. Cresci escutando Chico com a minha mãe. Hoje fiquei na fila para pegar ingresso e valeu a pena demais.”

Esse vínculo familiar também marcou a experiência do médico Pedro Vinícius Costa:
“Chico César esteve sempre nos meus ouvidos desde moleque. Ver esse show foi reencontrar memórias que nunca deixaram de fazer parte da minha vida. Foi muito especial, adorei cada segundo.”

Para a estudante Débora Aragão, a emoção tomou conta:
“Eu ouço desde criança e foi muito emocionante estar aqui. Chorei muito durante as músicas. Todo mundo animado, e eu chorando e cantando ao mesmo tempo. Foi mágico.”

A apresentação de Chico César na FliConquista foi uma experiência de encontro — entre público e artista, entre gerações, entre memórias e esperanças que se reconhecem na arte e na poesia.

Texto: Érika Camargo

Fotos: Lua Ife

FliConquista 2025 – A terceira edição da FliConquista integra o Programa Bahia Literária, a Rede de feiras e festas literárias do Estado da Bahia e conta com apoio do Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria da Educação (SEC) e da Secretaria de Cultura (SECULT), via Fundação Pedro Calmon e do Governo Federal por meio de emendas parlamentares.